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Por mais que se queira discutir acerca dos possíveis objetivos da propaganda, na verdade, e no final das contas - ou dos subobjetivos (incidentais ou não) -, o único objetivo básico da propaganda é o de vender – conceitos, valores humanos, idéias, tradições, crenças, paixões, idolatrias, produtos ou serviços. E mais: em curto, longo ou longuíssimo prazo.
Com efeito, seja lá qual for o prisma que se queira enquadrar este ou aquele ponto de vista, e em última análise (reforço e reitero, no sentido mais amplo da obviedade), não existe outra finalidade na propaganda empreendida que não seja a de obter (através dos mais diferentes meios e métodos) qualquer espécie de vantagem ou ganho, geral ou específico.
E, com toda a imparcialidade, a história tem absolutamente comprovado que isso tudo deve ser ponto pacífico. E, aliás, com relação à história, a propaganda nem precisou de seu verdadeiro nome para começar a existir. Bem muito antes, seus princípios sempre estiveram presentes em todos os momentos em que se necessitou canalizar motivações, isto é, nos momentos em que (no sentido popular e figurado) se precisou “vender o (seu) peixe”.
Ora, não existe outra saída quando se está diante de uma situação que exige estabelecer metas e identificar posições, no sentido de se comunicar, divulgar ou fortalecer uma “imagem”. E foi (e sempre será) assim na indução de condutas, expansão ou conversão de espíritos – mesmo no proselitismo de todas as seitas e até nas escolas filosóficas e políticas.
Isso é lógico, natural e extremamente racional, por mais que se defendam os puristas – mais de perto os “profissionais (olha aí as aspas para não ferir suscetibilidades) de criação”. Esses puristas, de certa forma, acreditam que, se a propaganda só tiver o objetivo de vender ganhos ou vantagens, eles deixam de ser aquilo que sempre idealizaram. Ou seja, um modelo irretocável de artista que possui um dom especial, além de uma profunda sensibilidade que só pode ser empregada em real benefício de uma coletividade inteira.
Mas, afinal – desde que sejam observados os princípios da ética e não explorar nem manipular a ignorância, a ingenuidade, a boa-fé e a pobreza das pessoas –, quem foi que inventou que vender, obter ganhos ou admissíveis vantagens, faz mal ao indivíduo ou à coletividade? É claro que, a priori, nem eu e nem mesmo o mais purista dos criativos, em toda a sua imaculada capacidade inventiva, seria capaz de tal afronta, principalmente à atual realidade consumista, da qual necessitamos acima das nossas supremas vontades.
Reiterando: o ‘preconceito’ ou o ‘conflito’ dos puristas, sob todos os aspectos e sentidos, são perfeitamente explicáveis e até certo ponto compreensíveis. O problema é que a ideia de impor produtos ou serviços que não correspondem aos seus pressupostos gostos ou termos de qualidade, simplesmente, não fazem bem à concepção formada que eles têm da propaganda, como elemento de ajuda e influência na função de divulgação e responsabilidade social.
Pois é, ainda bem que a gente sabe que é só isso. E isso, a bem da verdade e a título de curiosidade e reflexão, também não faz mal a ninguém.
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