Em um mercado altamente competitivo e tão cheio de modismo como o da propaganda, sem dúvida o maior desafio para qualquer agência de publicidade – grande ou pequena – é o de saber se renovar constantemente. Isto porque as empresas estão se renovando, ou melhor, estão se orientando para o mercado, que é o termo que está na moda, definitivamente. E uma empresa orientada para o mercado é aquela que está estruturada para oferecer valores mais elevados para seus clientes, na tentativa de mantê-los sempre no topo de seu organograma.
Em outras palavras, uma empresa orientada para o mercado é aquela que tem a capacidade ou habilidade de manter-se sempre à frente da concorrência, desenvolvendo aptidões para atrair o cliente, oferecendo-lhe as coisas às quais ele dá mais valor. Entretanto, convém notar, manter-se à frente não significa necessariamente golpear incessantemente as empresas concorrentes, impedindo-as de crescer. Por mais paradoxal que seja, são exatamente essas empresas concorrentes as determinantes do sucesso mercadológico – desta ou daquela empresa, que tem na outra o seu parâmetro e modelo consciente de expansão.
Portanto, não seria demais afirmar que uma empresa orientada para o mercado é aquela que é orientada pela concorrência, na medida em que estuda seus movimentos, no sentido de poder oferecer muito mais ao cliente e com menos diferenciação possível. Na verdade, já se foi o tempo em que os clientes eram obrigados a consumir o que as empresas produziam. Hoje a situação é inversa. As empresas produzem o que os clientes querem consumir, especialmente, incluindo as obsolescências funcionais ou planejadas dos produtos. O fato é que as coisas mudaram um pouco. Não é por acaso (isso todo mundo sabe) que os produtos quebram quase que nos dias exatos dos términos das suas pseudogarantias.
E aí tem uma coisa que merece uma reflexão mais cuidadosa. Se o atual mercado exige que as empresas vivam em constante concorrência, o mais natural seria que esse comportamento fosse repassado para o mercado da propaganda, fazendo com que essas empresas também abrissem concorrências para selecionar suas agências. Pois é justamente isso que está acontecendo nos grandes mercados, onde são realizadas, no mínimo, três concorrências por mês entre as grandes agências, deixando um mercado paralelo para a sobrevivência e desenvolvimento das pequenas agências que não possuem contas nacionais.
Agora, o problema é que num mercado tão pequeno (em termos de verba) como o nosso, essa prática, se aderida totalmente, pode gerar consequências desastrosas para as nossas pequenas agências – que não teriam chances de crescimento – bem como para o mercado de modo geral, que não teria como absorver os novos profissionais que saem das faculdades anualmente. Assim, o que poderia ser um avanço, fatalmente acabaria virando um retrocesso.
Nesse caso, com relação às nossas pequenas, médias ou grandes agências, não há outro caminho que não seja o da renovação constante. Isto é, lógico, se não quiserem também fazer parte das obsolescências planejadas ou funcionais das empresas.