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*Discurso proferido no aniversário da Academia de Medicina, ocorrido no dia 9 de dezembro
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Há exatos 15 anos, na Sociedade Médica de Sergipe, com o apoio do presidente da época, o confrade Lúcio do Prado Dias, Dr. Gileno Lima, presidente de honra ad eternum deste sodalício, concretizava um sonho antigo: a fundação da Academia Sergipana de Medicina - ASM.
O nosso confrade Lúcio Dias, membro partícipe daquele momento histórico, escreveu no site da Academia sobre os nossos primórdios. Ele revelou que houve várias tentativas anteriores, para a fundação de uma Academia, mas que foram todas frustras.
Foi o Dr. Gileno Lima, figura humana e carismática, respeitado e querido, estimulado pelo seu primo Geraldo Mílton da Silveira, que na época era Presidente da Academia de Medicina da Bahia, que conseguiu reunir seleto grupo em torno de si, personalidades de notável saber e reserva ética da categoria médica, a exemplo dos doutores Alexandre Gomes de Menezes Neto, Cleovansóstenes Pereira de Aguiar, Hugo Gurgel, Lauro Porto, Osvaldo Souza, José Leite Primo, entre outros.
Os primeiros estatuto e regimento só sofreram alterações em 2007 graças ao trabalho da comissão de reforma composta por Dr. Cleovansóstenes Pereira de Aguiar, Dr. José Hamilton Maciel Silva, Dr. Lúcio Antônio Prado Dias e Dr. Petrônio Andrade Gomes, sob a minha coordenação (Déborah Pimentel).
A posse da primeira diretoria da entidade ficou sob o comando de Cleovansóstenes Pereira de Aguiar e dos acadêmicos fundadores. Nessa sessão, fizeram-se presentes, além de autoridades, médicos e convidados, ilustres membros da Academia de Medicina da Bahia, como o Ac. Geraldo Milton da Silveira, seu Presidente; Ac. Thomaz Cruz; Aca. Maria Tereza Pacheco; Ac. Alberto Serravale e o Prof. José Queiróz.
Nestes 15 anos, a ASM teve sete diretorias, o nosso presidente de honra, o imortal fundador Gileno Lima e seis presidentes executivos, haja vista eu estar no meu segundo mandato (2005-2007 e 2008-2010).
Fui antecedida na presidência por queridos amigos, a maioria meus professores: o primeiro foi Dr. Clovansóstenes Pereira de Aguiar, em seguida Prof. José Hamilton Maciel Silva, Dr. Lúcio Antônio Prado Dias, Prof. Hyder Bezerra Gurgel e o Prof. Eduardo Antônio Conde Garcia, nomes que nos dão orgulho e que a história, indubitavelmente, lhes fará jus, haja vista a contribuição e o amor que ofereceram e continuam dedicando à Medicina e como exemplos no exercício ético hipocrático.
Em 1999, com cinco anos de fundação, a ASM passou a ser oficialmente integrante da Federação Brasileira de Academias de Medicina e o certificado de filiação foi entregue pessoalmente por seu presidente, o Acadêmico Waldenir de Bragança. Mais uma conquista!
Em 2001 a ASM foi reconhecida como Instituição de Utilidade Pública Municipal, no mês de junho, e Estadual em novembro. São consolidações que nos dão legitimidade diante do reconhecimento extramuros.
Devo hoje, portanto, antes de tudo, agradecer a generosidade do pai celestial pelo privilégio de estarmos hoje todos reunidos. É de uma extrema felicidade privar da companhia de pessoas que me são tão caras e poder homenagear os membros fundadores que vieram prestigiar nosso aniversário.
Neste ano de 2009, finalmente, nos nossos 15 anos temos todas as cadeiras deste sodalício preenchidas com nomes à altura do brilho e da luz dos nossos patronos e membros fundadores.
Além da chegada de tão ilustres confrades, o ano de 2009 é particularmente importante na consecução dos projetos desta diretoria, a exemplo do nosso Dicionário Biográfico de Médicos de Sergipe.
O idealizador desta magnífica obra foi o confrade historiador Dr. Antônio Samarone Santana, que buscou inspiração e bebeu na obra de Armindo Guaraná, O Dicionário Biobibliográfico Sergipano, publicado no Rio de Janeiro pela Editora Pongetti em 1925 e que reúne 640 nomes dos mais ilustres sergipanos e tornou-se a principal fonte para o conhecimento biográfico dos que tiveram destaque profissional, intelectual e ou político entre os anos 1832 a 1908.
Nesta hercúlea tarefa atual, registrar verbetes, em número próximo ao de Guaraná, mais de 600, a maioria com fotos, com nomes de médicos que atuaram aqui nos séculos IX e XX, Samarone contou com mais dois co-autores, os caríssimos companheiros deste sodalício e que reputo como dois bons e queridos amigos, Dr. Lúcio Antônio Prado Dias e Dr. Petrônio Andrade Gomes. Lúcio além de autor de centenas de verbetes, também ficou responsável para organizar e formatar o material.
Caprichosos nunca se davam por satisfeitos depois de quatro anos de extensas e cuidadosas pesquisas. Literalmente comiam livros, arquivos, jornais da época, transmutaram-se em ratos de biblioteca, porões e, pasmem os senhores, cemitérios, a nova paixão do Dr. Petrônio que segundo ele é uma fonte inestimável de pesquisa e que é subestimada por historiadores.
Convoquei estes três guerreiros e solicitei que dessem um ponto de basta, um ponto de estofo e como bons artesãos amarrassem a obra publicando-a, haja vista ser este, em especial, um trabalho sem fim.
E finalmente no dia 15 de dezembro se concretiza, como parte das comemorações dos nossos 15 anos, na Sociedade Semear, o lançamento desta rica, robusta e ousada obra, pioneira no campo exclusivamente médico e que traz um capítulo dedicado aos Acadêmicos deste sodalício. Trata-se de um marco histórico dentro deste movimento fértil da elite intelectual que compõe a nossa ASM.
Esta obra só é uma realidade, graças também à sensibilidade e ao patrocínio do Magnífico Reitor da Universidade Tiradentes que acreditou no trabalho destes três acadêmicos e ofereceu seu apoio para o registro da história da Medicina em Sergipe.
Esta celebração não é apenas do nascimento de uma Academia, mas é antes de tudo a celebração do nosso natal. Este período natalino nos convoca a uma série de reflexões sobre o significado das nossas existências, e o cristianismo coloca em Deus essas respostas. Deus nos criou para que tivéssemos êxito nas nossas ações, para sua glória e louvor.
Há um poema em Télugo, uma das línguas indianas, que tem autonomia e reverbera intelectualidade com publicações importantes, e que até parece que foi dirigido para nós médicos e que diz:
“O dever mais importante do homem é fazer com que o rio do Divino Amor flua a cada um e a todos. O homem não nasceu meramente para viver para si mesmo. Somente por dedicar sua vida ao serviço à sociedade irá ele enobrecer a si mesmo e atingir a realização pessoal. Deus enviou o homem a este mundo para praticar e propagar esta mensagem. Que valor tem o nascimento do ser humano se o homem permanece como um fardo pesado sem servir à sociedade?”
Senhores, o cristianismo é essencialmente a primazia de princípios éticos e morais, quais sejam: determinação diante do trabalho, paz, amor, solidariedade, compaixão, fraternidade, tolerância, aceitação das diferenças, respeito e perdão.
Não sem razão são, em linhas gerais, estes mesmos princípios, aqueles citados como éticos, por Hipócrates, e que compõem importantes pilares da nossa prática: o compromisso da Medicina com a vida; a técnica, que implica no investimento no trabalho e no desenvolvimento técnico científico; a relação médico paciente que deve estar imbuída de respeito e compaixão; e a confidencialidade, enquanto prática quase que sacerdotal que valoriza o segredo profissional como expressão do respeito à privacidade do paciente. Ora, esses elementos significam, caríssimos senhores, atos essencialmente cristãos.
Enquanto campo científico, a Medicina está firmemente empenhada em diminuir as incertezas dos que a praticam, aumentando sua racionalidade. Naturalmente que uma boa prática médica deve incluir elementos de resolutividade; eficiência em termos biológicos, econômicos e psicossociais; segurança e respeito ao ser humano.
Mas, nunca esqueçamos o ofício hipocrática como exercício dos ensinamentos do revolucionário Jesus Cristo: uma boa prática médica é aquela que incorpora elementos de sabedoria e de compaixão, de intenção consciente e moralmente justificada para cada ato, de decisões tomadas com correção, zelo e coração.
Que essas disposições hipocráticas e cristãs, sejam levadas por todos em todas às nossas atividades, sem desejos espúrios ou com conflitos de interesses.
Que o narcisismo, a indiferença e a vaidade sejam inibidos e afastados e que nossas ações sejam com o único propósito de servir ao outro, nosso companheiro ou companheira, nossos filhos, pacientes, amigos, e sempre em nome da felicidade maximizada e socializada com o maior número de pessoas possível. O nome disso é amor: a única saída possível para o homem, a nossa única possibilidade de dar sentido à própria existência. E isso tudo é ser cristão: amar, servir, respeitar, perdoar.
Bem senhores, hora de lhes desejar Parabéns! Feliz Aniversário! Dizer-lhes, por conseguinte, Feliz Natal!
Expresso o meu desejo que 2010 seja tão generoso para este sodalício quanto foi em 2009 e que possamos, no ano que está chegando, juntos, chegar a bom termo nas proposições desta diretoria, nos fortalecer cada vez mais institucionalmente, porquanto sermos um grupo cuja maior missão é o resgate e manutenção da nossa memória sobre os valores e a história da Medicina e dos médicos que nos dignificam com suas ações e realizações no nosso Estado. Mas que sejamos também a referência hipocrática ético-cristã.
Para todos, peço ao bom Deus, muita saúde, paz, amor e harmonia. Que o espírito natalino, paire sobre nossas vidas e que sigamos os exemplos de homens como os nossos fundadores e homenageados na casa de Gileno Lima: Cleovansóstenes Pereira de Aguiar; Alexandre Menezes; Hyder Gurgel; Hugo Gurgel; José Hamilton Maciel Silva; Dietrich Todt; José Augusto Barreto; Lúcio Prado Dias; Zulmira Rezende; Eduardo Conde Garcia; Lauro de Brito Porto; Dalmo Machado Melo; Francisco do Prado Reis; José Teles de Mendonça; Luiz Hermínio de Aguiar e José Abud.
Que Deus nos abençoe!
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