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Aracaju,SE
Setembro/2010

Déborah Pimentel
Psicanalista, presidente do Círculo Brasileiro de Psicanálise.
Contatos através do email: deborah@infonet.com.br

Blog - Déborah Pimentel - 25/06/2010 08:37
Hora do recreio nos eventos médicos 

No mês de setembro acontecerá em Belo Horizonte o Congresso da Sociedade Brasileira de Cardiologia. Será totalmente financido pela indústria farmacêutica que pagará do papel timbrado, mimos aos principais convidados, até o vinho do jantar do presidente. Nada de novo.

No meio de sua programação também irá acontecer uma série de simpósios-satélites com convidados estrangeiros que farão apresentações, a convite das indústrias, do que há de mais novo em drogas e equipamentos médicos. Excelente oportunidade de atualização.

Como todos os médicos sabem, estes simpósios-satélites acontecem no intervalo do almoço com bebida e comida grátis para todos os inscritos. Útil e agradável.
A Associção Médica Brasileira que advoga que estes patrocinios existam, alerta, entretanto, que os organizadores dos eventos tenham autonomia sobre a programação e que as informações sobre produtos sejam confiáveis, ou seja, isentas de conflitos de interesse. Duvidoso.

Por outro lado, sabe-se que muitas pesquisas, nas nossas universidades, só acontecem se tiver um financimento e a indústria por ter interesse nos resultados, bancam os altos orçamentos. Este recurso é considerado lícito.

Para muitos estudiosos, entretanto, médicos atrelados à indústria farmacêutica e de equipamentos médico, não têm isenção em avaliar resultados de pesquisas, pois podem até inconscientemente, tornar-se tendenciosos perante o seu conflito de interesses. Afinal são regiamente pagos pela indústria.  Alguns médicos sequer declaram esses conflitos na hora da publicação ou da apresentação em eventos, o que é mais grave ainda.

Os Estados Unidos da América (EUA), em ação inédita esta semana, proibiram a indústria farmacêutica de promover palestras no maior congresso de cardiologia do mundo que vai acontecer em Chicago, em novembro deste ano: o American Heart Association. Gol extraordinário.

O órgão do sistema nacional de saúde dos americanos, o INH, entendeu que este Congresso é um evento de educação continuada e que deveria ser isento de qualquer influência da indústria que costuma comprar stands para divulgar seus produtos e promover os tais simpósios satélites com especialistas renomados que inclusive recebem mesadas fixas dos laboratórios. Ou seriam salários?

O Conselho Federal de Medicina (CFM) e a Associação da Indústria Farmacêutica de Pesquisa (Interfarma), aqui, abaixo da linha do Equador, discutem também, a possibilidade de separar eventos da indústria da programação científica dos congressos médicos. Ação, que se for concretizada, merecerá muitos elogios.
Tem-se noticia também, que o CFM e a Interfarma estão revendo o código de conduta da indústria, em vigor há dois anos e que na prática não se percebem muitas mudanças.

Com estas medidas saudáveis, mais autonomia terão os médicos nas suas prescrições. Ganham os pacientes.
 


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