Lembro que quando eu era pré-adolescente, havia uma vontade enorme em tentar pelo menos conhecer o que era aquilo que chamavam de sexo. Era devido a minha curiosidade que algumas vezes eu andava dando voltas em algumas bancas de revista na avenida Nova Saneamento para tentar folhear algumas revistinhas de piadas apimentadas e olhar as posições sexuais feitas em formas de desenho.
Porém, o difícil era sequer conseguir enxergar aqueles desenhos. Às vezes eu esperava o vendedor olhar para os lados ou se distrair em algum bate papo para que eu pudesse vasculhar de forma breve e tensa as historinhas. Em muitas situações, os vendedores me repreendiam, pois eu não tinha idade suficiente para conhecer aquela coisa que futuramente seria minha opção predileta. O sexo era uma chave de mistérios.
Hoje em dia as coisas mudaram bastante. Certa vez eu estava dando aula para pré-adolescentes e comecei a perguntar para os alunos sobre o que eles mais gostavam de fazer em suas horas vagas. Rapidamente um garoto, como forma de "tirar uma onda" com o colega, manifestou-se da seguinte forma: - professor, fulano não quer sair de casa, pois passa o dia inteiro catando filmes pornôs na Internet.
Mesmo que papais e mamães insistam em preservar os tabus referentes às relações sexuais, seus filhinhos têm um contato muito viável para conhecer e ver determinadas coisas. O que não faltam são sites especializados em divulgar cenas e cenas de filmes pornôs, o que não faltam são gravações amadoras de muita putaria expostas em sites ou enviadas em anexos por e-mails.
Diferente de minha época, o acesso às informações referentes ao sexo é algo muito mais real no cotidiano de nossos adolescentes. E a arte, por ser uma manifestação humana, é reflexo desses valores. Ora, o que eu quero dizer com isso? Apesar de muitos adultos condenarem as posturas extremamente eróticas das músicas atuais, temos que admitir primeiramente que o acesso ao sexo é algo que se encontra muito ligado em nossas vidas.
Encontramo-nos também diante de um contexto que se caracteriza pela vulnerabilidade das relações. Se antes as relações se baseavam em uma certa permanência, esperando o tempo necessário para o coito, hoje em dia as relações são resolvidas de forma mais imediata devido às constantes mudanças de identificações entre as pessoas. É devido a isso que podemos também compreender a relação mais aberta do sexo na sociedade.
Convenhamos: não adianta proibirmos. O que devemos é criar estratégias para sabermos lidar com isso. Não é que atualmente exista uma banalização do sexo, o que existe é a insistência em se preservar o tabu do sexo. Se o sexo deixasse de ser tabu, com certeza que não faríamos dele uma eterna proibição e um objeto de intensa repulsa aos nossos olhos.
Não estou querendo dizer que o sexo não deva ter limites. No entanto, o que eu acho é que o fato de não dialogarmos abertamente com nossos adolescentes sobre o sexo, é que possibilitamos que ele seja banalizado. Quando determinado fenômeno como o sexo não é debatido, naturalmente ele passa a não ser compreendido com consciência e responsabilidade.
É importante mostrarmos paralelamente as circunstâncias positivas e negativas que podem levar o sexo. Dialogando sem restrições e tabus, e compreendendo as mudanças dos valores, conseguiremos debater sobre o sexo, construindo nos adolescentes uma postura responsável sobre o coito. Havendo uma troca de idéias amistosas, o sexo não será banalizado, uma vez que se tornará consciente entre os nossos jovens.