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Vozes petulantes vomitam discursos contrários às chamadas indústrias culturais. Dessas vozes, a que mais chama atenção é a da turminha do dito cenário independente ou alternativo. Dentro dessa galerinha, encontramos aquelas velhas posturas sérias a criticar a falta de espaço que as rádios privadas dão aos artistas, ficam no blá, blá, blá resmungando o excesso de lucros visados por esses meios de comunicação e outras inquietações a mais.
Sabemos que de fato as mídias privadas deixam a desejar com relação às possibilidades de outros artistas poderem mostrar suas produções para um público maior. A maioria a que diz se refere às mídias privadas diz respeito a uma maior lucratividade objetivada por esses meios, e não necessariamente ao respeito às diferenças. Essa é a forma como se caracteriza a democracia diante dos interesses mercadológicos.
Porém, eu gostaria de travar neste texto uma questão referente à ideologia. A galerinha exótica dos meios musicais caralhudos e alternativos, geralmente utilizam a palavra ideologia de acordo com as concepções marxistas, ou seja, como uma falsa consciência. Ideologia significa, portanto, um projeto de uma classe dominante que busca através de seus discursos e dos meios de comunicação, legitimar suas verdades de classe.
Quem não conhece o ninho de cobra da cena alternativa, pode até achar coerente esse ponto de vista, no entanto, temos no comando de nosso gracioso Estado, uma equipe pertencente a correntes ideológicas que foram, pelo menos no discurso, historicamente vinculadas aos interesses populares. Hoje uma parte dessa equipe assume os comandos das rádios públicas.
Dentro dessas rádios, encontramos um nicho muito claro de agregado de amigos. Na cena musical dita alternativa em Sergipe, se não há uma limitação de artistas por atender aos interesses mercadológicos dos patrocinadores, existe um limite estipulado pelo agregado de artistas que se conhece, que compactua de determinadas ideologias partidárias, e que termina por monopolizar todo um espaço dentro das rádios públicas.
Se percebermos bem, entra nesse bolo não só os companheiros que compactuam dos mesmos objetivos políticos. Dentro desse ninho se articulam os amigos dos compadres dos brothers do namorado, cunhado, sogro, genro, meio primo irmão, e por ai vai. Quando vamos curtir uma night e assistirmos a um show, quem vamos encontrar? Chutam? Os mesmos conglomerados alternativos excludentes de sempre.
Precisamos revisar um pouco essa palavrinha chamada ideologia. Está mais que na hora de relativizarmos essas relações de poder. Acho mais sensato compreendermos ideologia como visões de mundo. Pensando dessa forma, evitaremos posturas hipócritas em condenarmos a dita classe dominante, fazendo a mesma coisa que ela faz, assim como seremos mais sinceros com os demais artistas que terminam sendo excluídos.
Sim, sinceros com os pobres artistas que não são nem bajuladores da turminha alternativa, e, portanto, não ouvem suas musicas serem tocadas com mais freqüência nas grades de programação das rádios públicas, como também não possuem uma boa grana para pagar as rádios privadas para que suas músicas sejam executadas. A falta de democracia e o excesso de poder se encontram nos dois lados.
Devemos tecer nossas críticas não só apenas às exclusões que ocorrem em relação à esfera econômica dos meios de comunicação. A exclusão não se resume apenas à falta de poder aquisitivo do indivíduo para investir em seu trabalho. Obviamente que devemos reconhecer que a presença de uma grana legal no bolso ajuda muito. Mas a nossa critica deve se voltar também à exclusão simbólica.
Quando eu me refiro à exclusão simbólica, eu quero dizer a relação de prestígios que é dada mais a um do que a outro, e isso acontece de forma muito evidente aos nossos olhos. Alguns artistas reclamam que deixaram seus trabalhos em rádio de perfil publico e nunca ouviram sua música sendo executada na programação. Sendo pública ou privada, infelizmente o que notamos é que a monopolização e a segregação permanecem.
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